Características do Guidance nas maiores companhias de capital aberto do Brasil Outros Idiomas

ID:
34422
Resumo:
O guidance consiste na prática empresarial de divulgação voluntária das projeções sobre o desempenho futuro. O presente estudo busca conhecer as principais características do guidance divulgado pelas companhias listadas na BM&FBovespa. Com base na Teoria Institucional e no disclosure voluntário, assumiu-se a hipótese de que o guidance evidenciado pelas empresas brasileiras sofre influências institucionais. Foram analisadas 96 das 100 maiores companhias de capital aberto brasileiras em valor de mercado no ano 2011, por meio de análise de conteúdo, estatística descritiva e testes de associação não paramétricos. Os resultados indicaram que 44,8% das empresas evidenciam projeções, sendo que 38,5% também fazem análise das projeções referentes a períodos passados. Constatou-se, ainda, que a prática do guidance é mais comum entre as empresas listadas no segmento Novo Mercado e nos setores Construção e transporte e Consumo não cíclico. Os testes estatísticos indicam que as projeções evidenciadas possuem natureza predominantemente quantitativa, com periodicidade anual e voltada para o curto prazo. Os indicadores projetados são estimados em valor absoluto ou intervalar, tendo natureza diversa, com destaque para aspectos operacionais, econômico-financeiros e de investimentos. Esses resultados mostram que a prática do guidance ainda é pouco adotada pelas maiores companhias do Brasil, e que as projeções evidenciadas seguem um padrão específico, sugerindo a presença de isomorfismo.
Citação ABNT:
BRANDÃO, I. F.; LUCA, M. M. M.; VASCONCELOS, A. C. Características do Guidance nas maiores companhias de capital aberto do Brasil. Revista Universo Contábil, v. 10, n. 4, p. 106-127, 2014.
Citação APA:
Brandão, I. F., Luca, M. M. M., & Vasconcelos, A. C. (2014). Características do Guidance nas maiores companhias de capital aberto do Brasil. Revista Universo Contábil, 10(4), 106-127.
DOI:
10.4270/ruc.201443
Link Permanente:
http://spell.org.br/documentos/ver/34422/caracteristicas-do-guidance-nas-maiores-companhias-de-capital-aberto-do-brasil/i/pt-br
Tipo de documento:
Artigo
Idioma:
Português
Referências:
AAKER, D. A.; KUMAR, V.; DAY, G. S. Pesquisa em marketing. São Paulo: Atlas, 2001.

ALMEIDA, M. A.; FIGUEIREDO JÚNIOR, H. S. O uso do guidance como instrumento de transparência para as empresas concessionárias de distribuição de gás natural no Brasil. In: CONGRESSO USP DE CONTROLADORIA E CONTABILIDADE, 11., 2011. Anais... São Paulo: USP, 2011.

ANHALT, A. A. Guidance: entre o risco e a segurança. Revista Relações com Investidores – RI, n. 110, p. 31-33, abr. 2007.

ANILOWSKI, C.; FENG, M.; SKINNER, D. J. Does earnings guidance affect market returns? The nature and information content of aggregate earnings guidance. Journal of Accounting & Economics, n. 44 v. 1/2, p. 36-63, Sept. 2007. DOI: http://dx.doi.org/10.1016/j.jacceco.2006.09.002.

ANTHONY, R. N.; GOVINDARAJAN, V. Sistemas de controle gerencial. São Paulo: Atlas, 2006.

ATIASE, R. K.; REES, L.; TSE, S. Beyond forecasting track records: determinants of management earnings guidance usefulness and their effects on market reactions to guidance news. University of Texas at Austin and Texas A&M University working paper, Feb. 2010. Disponível em: . Acesso em: 11 ago.2013.

BAUER, M.; GASKELL, G. (Eds.). Pesquisa qualitativa com texto, imagem e som: um manual prático. 5. ed. Petrópolis: Vozes, 2002.

BOZANIC, Z.; ROULSTONE, D. T.; VAN BUSKIRK, A. Management earnings forecasts and forward-looking statements. Working Paper, Ohio State University, May 2012. DOI: http://dx.doi.org/10.2139/ssrn.2130145.

BRANDÃO, I. F.; ASSUNÇÃO, R. R.; PONTE, V. M. R.; REBOUÇAS, S. M. D. P. Fatores determinantes do disclosure de guidance das companhias listadas na BM&FBOVESPA. Revista Contemporânea de Contabilidade, Florianópolis, v. 10, n. 21, p. 87-114, 2013. DOI: http://dx.doi.org/10.5007/2175-8069.2013v10n21p87.

CABRAL, E. Ibri inicia discussão sobre guidance no Brasil. Revista Relações com Investidores – RI, n. 110, p. 20-22, abr. 2007.

CHENG, M.; SUBRAMANYAM, K. R.; ZHANG, Y. Earnings guidance and managerial myopia.Working Paper, University of Southern California, 2007. Disponível em: . Acesso em: 15 mai.2013.

CHOI, J. H.; MYERS, L.; ZANG, Y.; ZIEBART, D. Do management EPS forecasts allow returns to reflect future earnings? Implications for the continuation of management’s quarterly earnings guidance. Review of Accounting Studies, v. 16, n. 1, p. 1-41, 2011. DOI: http://dx.doi.org/10.1007/s11142-010-9131-6.

CODIM. Comitê de Orientação para Divulgação de Informações ao Mercado. Pronunciamento de orientação n. 4 – guidance, de 17 de abril de 2008. Dispõe sobre melhores práticas de divulgação de informações sobre o desempenho futuro da companhia – guidance. Disponível em: . Acesso em: 5 abr.2013.

COLLIS, J.; HUSSEY, R. Pesquisa em administração: um guia prático para alunos de graduação e pós-graduação. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2005.

CVM. Comissão de Valores Mobiliários. Instrução CVM n. 480, de 7 de dezembro de 2009. Dispõe sobre o registro de emissores de valores mobiliários admitidos à negociação em mercados regulamentados de valores mobiliários. Disponível em: . Acesso em: 5 mai.2013.

DIMAGGIO, P. J.; POWELL, W. W. The iron cage revisited: institutional isomorphism and collective rationality in organizational fields. American Sociological Review, v. 48 n. 2, p. 147-160, 1983. Disponível em: . Acesso em 13. Set.2013

DYE, R. A. An evaluation of “essays on disclosure” and the disclosure literature in accounting. Journal of Accounting and Economics, v. 32, n. 1, p. 181-235, 2001. DOI: http://dx.doi.org/10.1016/S0165-4101(01)00024-6

FÁVERO, L. P. L.; BELFIORE, P. P.; CHAN, B. L.; SILVA, F. L. Análise de dados: modelagem multivariada para tomada de decisões. Rio de Janeiro: Campos Elsevier, 2009.

FIELD, A. Descobrindo a estatística usando SPSS. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2009.

FIRB. Financial Investor Relations Brasil. Qualificando guidance. 2007. Disponível em: . Acesso em: 17 mai.2013.

HIRST, D. E.; KOONCE, L.; VENKATARAMAN, S. Management earnings forecasts: a review and framework. Accounting Horizons, v. 22, n. 3, p. 315-338, 2008. DOI: http://dx.doi.org/10.2308/acch.2008.22.3.315.

HOUSTON, J. F.; LEV, B.; TUCKER, J. W. To guide or not to guide? Causes and consequences of stopping and subsequently resuming earnings guidance. Contemporary Accounting Research, v. 27, p. 143-185, May 2010. DOI: http://dx.doi.org/10.1111/j.1911-3846.2010.01005.x.

HSIEH, P.; KOLLER, T.; RAJAN, S. R. The misguided practice of earnings guidance. McKinsey on finance, v. 19, p. 1-5, Spring 2006. Disponível em: . Acesso em: 13 set.2013

IBRI. Instituto Brasileiro de Relações com Investidores. 5ª enquete Ibri: guidance. São Paulo: Ibri, 2007. Disponível em: . Acesso em: 5 mai.2013.

KAPLAN, R. S.; NORTON, D. P. A estratégia em ação: balanced scorecard. 10. ed. Rio de Janeiro: Campus, 1997.

KARAMANOU, I.; VAFEAS, N. The association between corporate boards, audit committees, and management earnings forecasts: an empirical analysis. Journal of Accounting research, v. 43, n. 3, p. 453-486, June 2005. DOI: http://dx.doi.org/10.1111/j.1475-679X.2005.00177.x

KOLLER, T.; RAJAN, S. J. Why earnings guidance can be bad for corporate health. April 2006. Disponível em: . Acesso em: 16 set.2013.

KUEPPERS, R. J.; SANDFORD, N. M.; THOMPSON, T. Earnings guidance: the current state of play. S.l: Deloitte, 2009. Disponível em: . Acesso em: 6 jul.2013.

LENNOX, C. S.; PARK, C.W.The informativeness of earnings and management's issuance of earnings forecasts. Journal of Accounting and Economics, v. 42, n. 3, p. 439-458, 2006. DOI: http://dx.doi.org/10.1016/j.jacceco.2006.05.001.

LIMA, G. A. S. F. Utilização da teoria da divulgação para avaliação da relação do nível de disclosure com o custo da dívida das empresas brasileiras. 108 f. 2007. Tese (Doutorado em Contabilidade e Controladoria) – Programa de Pós-Graduação em Contabilidade e Controladoria, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2007. Disponível em: . Acesso em: 30 dez. 2014.

MACEDO NETO, H.; GALLON, A. V.; DE LUCA, M. M. M.; FIGUEIREDO JUNIOR, H. S. Fatores Incentivadores da publicação de guidance pelas empresas do Ibovespa e sua conformidade com o Pronunciamento de Orientação N° 04/2008 do CODIM. Revista Sociedade, Contabilidade e Gestão, Rio de Janeiro, v. 9, n. 1, jan./abri. 2014. Disponível em: . Acesso em 20 dez.2014.

MAHONEY, W. F. Guidance: o bom, o ruim e o desagradável. Revista Relações com Investidores – RI, n. 121, p. 26-29, abr. 2008.

MAPURUNGA, P. V. R.; PONTE, V. M. R.; COELHO, A. C. D.; MENESES, A. F. Determinantes do nível de disclosure de instrumentos financeiros derivativos em firmas brasileiras. Revista Contabilidade & Finanças, São Paulo, v. 22, n. 57, p. 263-278, 2011. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/S1519-70772011000300003.

MARÔCO, J. Análise estatística com o SPSS statistics. 5. ed. Lisboa: Report Number, 2011

MEYER, J. W; ROWAN, B. Institutionalized organizations: formal structure as myth and ceremony. American Journal of Sociology, v. 83 n. 2, p. 340-363, Sept. 1977. Disponível em: . Acesso em: 15. Set.2013

MOSIMANN, C. P.; FISCH, S. Controladoria: seu papel na administração de empresas. 3. ed. São Paulo: Atlas, 1999.

MULINARI, N. C. H.; SILVA, S. F.; REINA, D. R. M.; SARLO NETO, A. Guidance nas Maiores Empresas Listadas na BM&FBovespa. In: CONGRESSO NACIONAL DE ADMINISTRAÇÃO E CIÊNCIAS CONTÁBEIS (ADCONT), 5., 2014, Rio de Janeiro. Anais... Rio de Janeiro: AdCont, 2014.

MURCIA, F. D.; SANTOS, A. Principais práticas de disclosure voluntário das 100 maiores empresas listadas na Bolsa de Valores de São Paulo. Revista Contabilidade e Controladoria, Curitiba, v. 1, n. 1, 61-78, 2009. DOI: http://dx.doi.org/10.5380/rcc.v1i1.14749.

MURCIA, F. D.; SANTOS, A. Teoria do disclosure discricionário: evidências do mercado brasileiro no período 2006-2008. In: CONGRESSO DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS PROGRAMAS DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS CONTÁBEIS (ANPCONT), 4., 2010, Natal. Anais... Natal: Anpcont, 2010. CDROM.

NIRI. National Investor Relations Institute. Guidance practices and preferences – 2012 survey results. 2012. Disponível em: . Acesso em: 12 ago.2013.

O’SULLIVAN, M.; PERCY, M.; STEWART, J. Australian evidence on corporate governance attributes and their association with forward-looking information in the annual report. Journal of Management & Governance, v. 12, n. 1, p. 5-35, Mar. 2008. DOI: http://dx.doi.org/ 10.1007/s10997-007-9039-0.

SAMPAIO, M. S.; GOMES, S. M. S.; BRUNI, A. L.; DIAS FILHO, J. M. Evidenciação de informações socioambientais e isomorfismo: um estudo com mineradoras brasileiras. Revista Universo Contábil, Blumenau, v. 8, n. 1, p. 105-122, 2012. Disponível em: . Acesso em 15 set.2013.

SKINNER, D. J. Do the SEC's safe harbor provisions encourage forward-looking disclosures? Financial Analysts Journal, v. 51, n. 4, p. 38-44, July/Aug. 1995. Disponível em: . Acesso em 15 set.2013.

STEVENSON, W. J. Estatística aplicada à administração. São Paulo: Harbra, 1981.

USA. United States of America. Public law 104-67, of Dec. 22, 1995. To reform Federal securities litigation, and for other purposes. Disponível em: . Acesso em: 15 set.2013.

VERRECCHIA, R. Essays on disclosure. Journal of Accounting and Economics, v. 22, p. 97-180, 2001. DOI: http://dx.doi.org/10.1016/S0165-4101(01)00025-8.

WANG, M.; HUSSAINEY, K. Voluntary forward-looking statements driven by corporate governance and their value relevance. Journal of Accounting and Public Policy, v. 32, n. 3, p. 26-49, May/June 2013. DOI: http://dx.doi.org/10.1016/j.jaccpubpol.2013.02.009.

WELSCH, G. A. Orçamento empresarial. 4. ed. São Paulo: Atlas, 1983.